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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

 

O Mistério do Tempo Perdido – Final

 

OK. Vamos encerrar por aqui esta história, para poupar nosso personagem de um destino pior.

Esta é uma obra de ficção, baseada em situações reais.

Infelizmente, acontece o tempo todo, em todos os lugares, em maior ou menor intensidade, na nossa vida profissional e pessoal.

E o mais interessante, e perturbador, é que a maioria das situações problemáticas, que nos levam a um processo de improdutividade, de conflito, de pressão, com frequência afetando nossa saúde, são motivadas por ações e/ou omissões nossas.

Como podemos evitar que aconteça o mesmo conosco ou pelo menos como podemos minorar esses roubos de nosso tempo e seus efeitos danosos?

Como podemos resolver o mistério do tempo perdido?

Vamos lá!

O que necessitamos é nos prepararmos para tratar o recurso Tempo, da mesma maneira que tratamos os demais recursos: humanos, financeiros, materiais, tecnológicos. Precisamos estudá-lo. Através de leituras, participação em palestras, cursos, conversas com pessoas mais experientes.

Conhecer os conceitos e boas práticas de Organização, Planejamento, Delegação, Controle de Interrupções, Saber Dizer “Não”, Condução e Participação de Reuniões, e várias outras habilidades afins são essenciais para usarmos bem nosso tempo, protegê-lo e evitar que ele nos seja retirado sem avisos e sem que possamos fazer qualquer coisa.

Na nossa vida, precisamos saber “O que” fazer e “Como” fazer.

A Administração do Tempo é fundamental para termos uma vida mais produtiva e saudável, tanto em termos profissionais como pessoais.

Se você ainda não se conscientizou disto, tenha certeza, a hora já está passando.

Obrigado a vocês pela leitura, comentários, compartilhamentos.

Um abraço a todos!

 


quarta-feira, 18 de agosto de 2021

 

O Mistério do Tempo Perdido – Parte 3

 

Aconteceu dois dias depois.

Havia passado dois dias de absoluto sufoco tentando recuperar-se dos efeitos que as perdas misteriosas de seu tempo nos últimos dias lhe tinham causado.

Estava insone, com azia por causa da quantidade de cafeína tomada e absolutamente nervoso com a pressão de várias demandas acumuladas.

Pela manhã, começou a buscar o material necessário para participar de um evento online, desta vez como instrutor para um grupo de fornecedores a respeito de normas internas da empresa. Tinha previsto duas horas para coletar todo o material com tempo suficiente para testar o que fosse necessário.

E ainda ter a tarde disponível para tratar de uma série de tarefas em andamento e ficar sem preocupações para o dia seguinte. Quando chegou perto do meio-dia, continuava a buscar vários arquivos que haviam desaparecido. Nem no disco do notebook, nem em seus pendrives, nem na nuvem.  Talvez com outro nome. Fez pesquisa por palavras chaves, sem resultado. Varreu os arquivos de e-mails talvez os tivesse enviado para outras pessoas. Nada, alguns arquivos importantes não foram encontrados. O horário de almoço chegou e passou. Mais uma vez pedaços de seu tempo foram subtraídos de maneira brusca sem que ele pudesse fazer qualquer coisa para evitá-lo.

No início da tarde, resolveu acionar alguns colegas que talvez tivessem cópias dos arquivos. E começou a preparar mudanças na apresentação para retirar as partes em que os arquivos sumidos eram essenciais.

Um pouco mais tarde, ainda envolvido na preparação da apresentação, um chamado urgente de seu chefe. Precisava de uma pessoa de imediato para atender a um cliente importante com dificuldade para usar um software da empresa. E era para ele resolver o assunto. Com urgência.

Pressão alta e aumentando... Pensou em duas opções: ele mesmo atender o cliente (mas não tinha como sair da empresa naquele momento) ou pedir ao novo estagiário que já havia sido treinado...  Mas aí lembrou: apesar de treinado, o estagiário nunca tinha sido designado para um atendimento externo em clientes então não se sabia como atenderia. E o cliente era muito importante e exigente. Decisão difícil...

As tarefas previstas para a tarde já estavam lhe cobrando ações, as notificações do WhatsApp não paravam, o preparo da apresentação estava incompleto e a nova incumbência da chefia estava sob sua responsabilidade.

Ele não entendia como as coisas tinham se complicado tão rapidamente. Seu tempo sumia pelo meio dos seus dedos, ele não conseguia identificar o que estava acontecendo, quem estava lhe roubando o tempo, como impedir que isto continuasse acontecendo.

Seu telefone tocou insistentemente. Já com receio, ele atendeu. As primeiras palavras que ouviu foram: “- Aconteceu um problema sério. Preciso de sua ajuda, imediatamente!!!

Continua...

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

 

O Mistério do Tempo Perdido – Parte 2


Alguns dias depois, ainda devedor em várias tarefas por causa do tempo desaparecido que não conseguira recuperar, encontrava-se absorto na preparação de um relatório para sua chefia.

Depois de atender uma série de telefonemas das mais diversas origens, quase todos urgentes, mas nada importantes, foi obrigado a desligar seu celular, para poder se concentrar. Cada interrupção era uma martelada no seu raciocínio, o relatório não estava seguindo num bom caminho.

Conseguira finalmente recuperar o ritmo, quando um colega chegou a sua mesa e lhe interrompeu; - Tenho uma solução para o problema do almoxarifado. Presta atenção.... E sem lhe dar qualquer chance despejou uma série de informações de um assunto sobre o qual haviam conversado  alguns dias antes.

Quando o colega se retirou, ficou remoendo as novas informações por vários minutos até chegar a conclusão de que eram insuficientes e inviáveis para serem consideradas uma boa solução. Pensou em ligar para o colega, mas lembrou-se do relatório interrompido e desistiu.

Recomeçou a ler o relatório e quase em desespero, verificou que tinha perdido o fio da meada. Já não concordava plenamente com vários pontos que tinha escrito anteriormente. Neste momento parou e avaliou que se fosse reescrevê-lo, o prazo para conclusão da tarefa iria ultrapassar o solicitado pela sua chefia.

Mais um pedaço de seu tempo havia sumido misteriosamente durante o dia.

Começava a suar frio. Recomeçou o relatório mais uma vez. Resolveu deixar como estava o que já tinha escrito e tentou dar um seguimento mantendo um mínimo de coerência, dentro do possível.

No início da tarde, tendo substituído o almoço por um sanduiche, mais um golpe. Tinha uma dificuldade enorme em dizer não para as pessoas e isto era bem usado pelos colegas. Por conta disso, ficou mais de uma hora participando como suporte numa reunião com um cliente, que não estava prevista. Mais uma paralização, mais um recomeço, mais tempo perdido para as coisas importantes para ele, mais dificuldades para dar uma sequência lógica a seu trabalho.

A noite chegou, o relatório finalmente foi encerrado, mas uma reunião do final da tarde teve de ser adiada novamente e mais uma vez naquele mês, a musculação na academia ficou sem sua presença.

Nesse momento, a sensação de perdas sucessivas de seu tempo já havia se transformado numa certeza de que algo muito sério estava acontecendo. E o que viria a seguir só confirmou isto.

Continua...


domingo, 15 de agosto de 2021

 O Mistério do Tempo Perdido – Parte 1

A primeira vez que ele notou que algo muito estranho estava acontecendo foi depois de um almoço, num restaurante novo anunciado em seu Facebook.

Antes ele já tinha, em alguns momentos, vivenciado situações desconfortáveis, demora para definir objetivos, um certo grau de dificuldade para cumprir prazos, mas não havia dado muito importância a estas dificuldades. Não era um bom gestor de seu tempo mas era esforçado e dedicado e tudo lhe parecia insignificante e passageiro. Qualquer dificuldade aos poucos era superada.

Naquele dia, foi diferente. Ele recebera a propaganda do novo restaurante e sem qualquer pesquisa ou outra referência decidiu conhecê-lo. Ficava um pouco afastado, cerca de 2 horas. Escolheu, sem pensar muito, o pior horário do pior dia, final de um feriadão. Chegou já tarde, pelo trânsito intenso que encarou e ainda pegou fila na entrada do restaurante. Uma hora de espera. Como já estava lá, resolveu esperar. Após um pouco mais de uma hora, entrou, atendimento lento, almoçou, fila no caixa, saiu. Visita insatisfatória, demorada, cansativa.

No retorno, ao passar por alguns ciclistas, lembrou que havia se comprometido com uma amiga a pedalar no final da tarde. Tentou ligar para se desculpar, mas estava sem bateria no celular, esquecera de carregar antes de sair.

Chegou em casa, tarde da noite pois encarou outro congestionamento na volta.

Tinha se programado para usar o início da noite para preparar diversos materiais para o trabalho no dia seguinte, mas o atraso no seu passeio o impediu.

Dormiu inquieto, a noite lhe pareceu muito curta, amanheceu antes que pudesse se recuperar. Despreparado para as atividades da manhã, cansado, perdeu prazos, esqueceu compromissos, passou o dia inteiro sem condições normais de trabalho.

Tentou contato com a amiga para se desculpar mas não conseguiu.

Retornou para a casa com a sensação muito ruim de que tinham lhe tirado um pedaço do seu tempo que estava lhe fazendo falta.

No outro dia, ao final da tarde, começou a preparar-se para uma reunião virtual no dia seguinte com gerentes das demais filiais da empresa. Não havia recebido uma pauta da reunião então juntou o material que achou importante, o que lhe roubou algumas horas.

A reunião prevista para iniciar às 9 horas teve participantes se inscrevendo até 9:45h e iniciou  efetivamente, às 10:15h. Logo de saída, várias discussões sobre prioridades a serem tratadas na reunião, e posteriormente várias escapadas dos temas centrais, para tratar de situações específicas e de interesse de alguns participantes apenas. A reunião se prolongou até ao meio-dia com zero de efetividade, quando foi interrompida. Retorno previsto para as 13 horas. Ao se desconectar da reunião novamente a sensação ruim de que um pedaço o seu dia havia sido surripiado. Verificou que havia uma série de compromissos assumidos para a tarde e nada indicava que lhe sobraria tempo para atendê-los.

Tinha se desculpado com a amiga e remarcado para aquela noite. Sentiu que ia furar novamente. 

A parte da tarde da reunião continuou improdutiva com várias discussões intermináveis o que apenas aumentou o mal-estar e a certeza de que seu tempo estava desaparecendo como por um passe de mágica.

E o pior ainda viria.

Continua...

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