O Mistério do Tempo Perdido – Parte 3
Aconteceu dois dias
depois.
Havia passado dois dias de
absoluto sufoco tentando recuperar-se dos efeitos que as perdas misteriosas de
seu tempo nos últimos dias lhe tinham causado.
Estava insone, com azia
por causa da quantidade de cafeína tomada e absolutamente nervoso com a pressão
de várias demandas acumuladas.
Pela manhã, começou a
buscar o material necessário para participar de um evento online, desta vez
como instrutor para um grupo de fornecedores a respeito de normas internas da empresa.
Tinha previsto duas horas para coletar todo o material com tempo suficiente
para testar o que fosse necessário.
E ainda ter a tarde disponível
para tratar de uma série de tarefas em andamento e ficar sem preocupações para
o dia seguinte. Quando chegou perto do meio-dia, continuava a buscar vários arquivos
que haviam desaparecido. Nem no disco do notebook, nem em seus pendrives, nem
na nuvem. Talvez com outro nome. Fez
pesquisa por palavras chaves, sem resultado. Varreu os arquivos de e-mails
talvez os tivesse enviado para outras pessoas. Nada, alguns arquivos
importantes não foram encontrados. O horário de almoço chegou e passou. Mais
uma vez pedaços de seu tempo foram subtraídos de maneira brusca sem que ele
pudesse fazer qualquer coisa para evitá-lo.
No início da tarde,
resolveu acionar alguns colegas que talvez tivessem cópias dos arquivos. E
começou a preparar mudanças na apresentação para retirar as partes em que os
arquivos sumidos eram essenciais.
Um pouco mais tarde, ainda
envolvido na preparação da apresentação, um chamado urgente de seu chefe. Precisava
de uma pessoa de imediato para atender a um cliente importante com dificuldade
para usar um software da empresa. E era para ele resolver o assunto. Com
urgência.
Pressão alta e
aumentando... Pensou em duas opções: ele mesmo atender o cliente (mas não tinha
como sair da empresa naquele momento) ou pedir ao novo estagiário que já havia
sido treinado... Mas aí lembrou: apesar
de treinado, o estagiário nunca tinha sido designado para um atendimento
externo em clientes então não se sabia como atenderia. E o cliente era muito importante
e exigente. Decisão difícil...
As tarefas previstas para
a tarde já estavam lhe cobrando ações, as notificações do WhatsApp não paravam,
o preparo da apresentação estava incompleto e a nova incumbência da chefia
estava sob sua responsabilidade.
Ele não entendia como as coisas
tinham se complicado tão rapidamente. Seu tempo sumia pelo meio dos seus dedos,
ele não conseguia identificar o que estava acontecendo, quem estava lhe
roubando o tempo, como impedir que isto continuasse acontecendo.
Seu telefone tocou
insistentemente. Já com receio, ele atendeu. As primeiras palavras que ouviu
foram: “- Aconteceu um problema sério. Preciso de sua ajuda, imediatamente!!!
Continua...
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